Enfisema pulmonar: como é feito o diagnóstico e quando a cirurgia redutora de volume pode ser indicada

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · Por Dr. Eudes Carvalho, MÉDICO, CRM 25157/DF, RQE 21644 (Cirurgia Torácica)
O enfisema pulmonar é diagnosticado com a combinação de história clínica, espirometria e tomografia de tórax. A espirometria confirma a obstrução ao fluxo de ar, e a tomografia mostra onde o pulmão foi mais destruído. Quando os sintomas seguem graves apesar do tratamento, a cirurgia redutora de volume pulmonar pode ser considerada em casos selecionados.
Quem convive com enfisema pulmonar costuma perceber que a falta de ar foi chegando aos poucos: primeiro no esforço, depois nas atividades mais simples. Entender o que acontece no pulmão, como a gravidade é avaliada e quais caminhos existem faz parte de uma decisão informada sobre o próprio tratamento.
O que é enfisema pulmonar e como ele afeta a respiração?
O enfisema pulmonar é a destruição progressiva dos alvéolos, as estruturas do pulmão que fazem a troca de oxigênio e gás carbônico. O tecido perde elasticidade, o ar fica aprisionado e respirar exige mais esforço. O enfisema é uma das formas de apresentação da DPOC, e o tabagismo é a principal causa.
Na prática, o pulmão “infla” mais do que deveria e não consegue esvaziar adequadamente. Isso exige um esforço maior para respirar e reduz a quantidade de oxigênio que chega ao sangue. Além do cigarro, a exposição prolongada a poeiras e fumaças também pode contribuir. Veja também as principais doenças pulmonares tratadas com cirurgia torácica.
O enfisema pulmonar tem cura?
Não. A destruição dos alvéolos que já aconteceu não se reverte, e o enfisema é uma doença crônica. Com tratamento adequado e acompanhamento contínuo, porém, é possível controlar os sintomas, reduzir as exacerbações e estabilizar a progressão. A cirurgia redutora, em casos selecionados, melhora a mecânica da respiração, mas não devolve o tecido perdido.
Quais sintomas indicam que o enfisema precisa de avaliação especializada?
Procure avaliação médica se a falta de ar estiver aumentando, se a tosse durar meses ou se você passou a evitar escadas e caminhadas. Falta de ar intensa, dificuldade para falar frases inteiras ou lábios arroxeados pedem atendimento imediato em pronto-socorro. O enfisema evolui devagar, e investigar cedo facilita o controle.
- Falta de ar progressiva, inicialmente ao esforço e depois em repouso;
- Tosse crônica, com ou sem secreção;
- limitação crescente para atividades simples, como caminhar ou subir escadas;
- episódios de piora aguda da respiração, chamados de exacerbações;
- sensação de aperto no peito ou respiração ruidosa;
- perda de peso não intencional e cansaço frequente em casos mais avançados.
Quando esses sintomas se tornam frequentes ou limitam a qualidade de vida, a avaliação por um médico é o caminho mais seguro. O texto sobre os sinais de problemas pulmonares ajuda a reconhecer quando buscar ajuda.
Como o médico avalia a gravidade do enfisema pulmonar?
A gravidade do enfisema não se define por um único dado. O médico combina o histórico de tabagismo, o grau de limitação no dia a dia, a frequência das exacerbações, a necessidade de oxigênio e a resposta ao tratamento em uso. Esse conjunto orienta se o tratamento atual basta ou se é hora de avaliar outras estratégias.
- histórico de tabagismo e tempo de exposição;
- grau de limitação funcional no dia a dia;
- frequência e intensidade das exacerbações;
- necessidade atual ou futura de oxigênio suplementar;
- impacto na qualidade de vida e nas atividades habituais;
- resposta ao tratamento clínico em uso.
Quais exames ajudam a confirmar o diagnóstico e orientar a conduta?
Três grupos de exames orientam o diagnóstico: a espirometria, que mede a obstrução ao fluxo de ar; a tomografia de tórax, que mostra a extensão e a distribuição da destruição no pulmão; e a gasometria com testes funcionais, que avaliam o oxigênio no sangue e a capacidade de exercício. Juntos, definem o tratamento.
Espirometria
A espirometria é o exame principal para avaliar a função pulmonar. Ela mede o fluxo de ar durante a respiração e identifica o grau de obstrução. Com os resultados, é possível classificar a gravidade da DPOC e acompanhar a evolução da doença ao longo do tempo.
Tomografia de tórax
A tomografia de tórax mostra a distribuição e a extensão das áreas destruídas pelo enfisema. Ela indica se o comprometimento se concentra em regiões específicas do pulmão, informação essencial quando se avalia a possibilidade de cirurgia.
Gasometria e testes funcionais
A gasometria arterial avalia os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue e mostra se há insuficiência respiratória. Testes de capacidade funcional, como o teste de caminhada, medem o impacto real da doença nas atividades físicas.
Quando a cirurgia redutora de volume pulmonar pode ser considerada?
A cirurgia redutora de volume pulmonar pode ser considerada em casos graves e selecionados, quando o enfisema é mais intenso em uma região do pulmão, sobretudo nos lobos superiores, e a limitação persiste mesmo com tratamento clínico otimizado. O cirurgião retira as áreas mais destruídas para que o restante do pulmão funcione melhor.
Em editorial publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, o cirurgião torácico José de Jesus Peixoto Camargo resume os critérios do estudo NETT, o principal ensaio clínico sobre o tema: falta de ar apesar do tratamento, idade abaixo de 75 anos, abstinência do cigarro por mais de 4 meses e hiperinsuflação grave, com predomínio nos lobos superiores. Segundo o editorial, capacidade de exercício e qualidade de vida foram melhores na população operada.
De forma geral, os candidatos mais prováveis são pacientes com:
- enfisema grave com padrão heterogêneo, predominante nos lobos superiores;
- importante limitação funcional, mesmo com tratamento clínico otimizado;
- função respiratória preservada em outras áreas do pulmão;
- condição clínica geral que permita operar com segurança.
Todo paciente com enfisema pode fazer cirurgia?
Não. A cirurgia redutora de volume é indicada apenas a um grupo específico de pacientes, depois de avaliação detalhada de exames de imagem, função pulmonar e condição clínica geral. A maioria dos casos de enfisema é conduzida sem cirurgia, com tratamento clínico e acompanhamento regular.
O mesmo editorial descreve os marcadores de alto risco identificados no NETT: VEF1 (volume de ar expirado no primeiro segundo) abaixo de 20% do previsto, DLCO (capacidade de difusão do pulmão) abaixo de 20% e doença homogênea, isto é, distribuída por igual. Na presença desses fatores, a mortalidade nos primeiros 30 dias chegou a 16% no grupo operado, contra 0% no grupo que recebeu apenas tratamento clínico. Por isso a seleção é rigorosa, e o risco é discutido com franqueza antes de qualquer decisão.
Parar de fumar ainda faz diferença depois do diagnóstico?
Faz, e de forma significativa. Interromper o tabagismo depois do diagnóstico é uma das medidas mais importantes para frear a progressão do enfisema. Também é condição para avaliar a cirurgia: no estudo NETT, a abstinência do cigarro por mais de 4 meses fazia parte dos critérios de seleção descritos no editorial do Jornal Brasileiro de Pneumologia.
Perguntas frequentes sobre enfisema pulmonar
Enfisema e DPOC são a mesma doença?
Não exatamente. O enfisema é uma das formas de apresentação da DPOC, que reúne diferentes padrões de obstrução ao fluxo de ar. Quem tem enfisema tem DPOC, mas a DPOC pode ocorrer com outros padrões, e a investigação define qual deles predomina em cada pessoa.
O enfisema pode ser tratado sem cirurgia?
Sim, e essa é a regra. A maioria dos pacientes é conduzida com tratamento clínico e acompanhamento contínuo, que buscam controlar os sintomas e reduzir as exacerbações. A cirurgia é reservada a casos graves e cuidadosamente selecionados.
Preciso fazer tomografia se já fiz espirometria?
Em geral, sim, porque os exames respondem a perguntas diferentes. A espirometria mede o fluxo de ar, e a tomografia mostra onde o pulmão foi mais destruído, informação essencial quando se avalia a cirurgia. O médico indica quais exames fazem sentido no seu caso.
Consulta com o Dr. Eudes Carvalho
Dr. Eudes Carvalho, MÉDICO, CRM 25157/DF, RQE 21644 (Cirurgia Torácica)
Quando a falta de ar começa a limitar a rotina ou o tratamento atual não está sendo suficiente, agende uma consulta para conversar sobre o seu caso. Vamos revisar seus exames e definir, com você, o caminho mais adequado.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Só o seu médico pode avaliar o seu caso e indicar o tratamento e os cuidados adequados.
