Cirurgia para pectus: quando é indicada e o que esperar na adolescência

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · Por Dr. Eudes Carvalho, MÉDICO, CRM 25157/DF, RQE 21644 (Cirurgia Torácica)
A cirurgia para pectus é considerada quando a deformidade do tórax, com o esterno afundado (excavatum) ou projetado para fora (carinatum), causa sintomas como cansaço ao exercício, dor ou falta de ar, ou afeta a qualidade de vida do adolescente. Nem todo caso precisa de operação, e a indicação depende de exames e de avaliação individual.
Descobrir que o filho tem uma deformidade na parede do tórax gera dúvidas e, muitas vezes, ansiedade. Mas nem todo caso de pectus precisa de cirurgia, e a decisão depende de uma avaliação cuidadosa, feita com base em dados claros e nos objetivos de cada paciente. Este texto foi escrito para ajudar famílias a entender o que é o pectus, quando a cirurgia passa a ser considerada e o que esperar da avaliação e da recuperação.
O que é pectus e como ele pode impactar adolescentes?
Pectus é uma deformidade da parede torácica. No pectus excavatum, o esterno, osso central do tórax, afunda para dentro; no pectus carinatum, projeta-se para fora, como uma quilha. Costuma ser percebido na infância e ficar mais evidente no estirão da adolescência, e alguns jovens têm cansaço ao exercício.
- Pectus excavatum: o esterno está afundado para dentro, formando uma espécie de escavação no peito;
- Pectus carinatum: o esterno se projeta para fora, dando ao tórax uma aparência proeminente.
Além do impacto estético, alguns jovens relatam limitação ao exercício físico, cansaço mais fácil e, em casos mais acentuados, impacto na respiração.
Quando a cirurgia para pectus passa a ser considerada?
A cirurgia passa a ser considerada quando o grau da deformidade, os sintomas, o impacto psicológico e a fase de crescimento, avaliados em conjunto, justificam a intervenção. Deformidades leves podem apenas ser acompanhadas. A decisão é individual, compartilhada com a família e apoiada em exames.
- Grau da deformidade: deformidades leves podem ser acompanhadas sem cirurgia;
- Sintomas funcionais: dificuldade respiratória, dor torácica ou limitação ao esforço são critérios relevantes;
- Impacto psicológico: quando a deformidade afeta a qualidade de vida e a autoestima do jovem, isso também entra na avaliação;
- Fase de crescimento: a idade e o estágio de desenvolvimento ósseo influenciam o momento de intervir.
Um estudo publicado na PLoS ONE, em 2020, com 296 adolescentes e adultos operados pela técnica de Nuss, adotou como referência para indicar a cirurgia a presença de dois ou mais critérios, como progressão da deformidade, intolerância ao exercício, dor ou falta de ar progressivas, comprometimento ventilatório, índice de Haller acima de 3,25, compressão do coração ou prolapso da valva mitral. A taxa global de complicações foi de 6,8% em cerca de 28 meses de seguimento, sem mortalidade. São dados de um serviço, e cada paciente precisa de avaliação própria.
Existe tratamento sem cirurgia para o pectus?
Em alguns casos, existe. O pectus carinatum leve pode responder ao colete compressor dinâmico, e deformidades leves e sem sintomas podem apenas ser acompanhadas. Já o pectus excavatum com repercussão funcional costuma pedir avaliação cirúrgica. Quem define a melhor via é o cirurgião torácico, depois de examinar o paciente.
Por isso, a cirurgia não é a primeira resposta para todo diagnóstico de pectus, e cada caso é avaliado de forma individualizada.
Como é feita a avaliação pelo cirurgião torácico?
A avaliação começa com uma conversa sobre a história clínica, os sintomas, o impacto na rotina e as expectativas da família e do paciente, seguida de exame físico da forma e da extensão da deformidade. Exames de imagem e de função ajudam a decidir com mais segurança, além da avaliação visual.
A decisão sobre indicar ou não a cirurgia é sempre compartilhada com a família, com base em dados objetivos e no que faz sentido para aquele momento de vida do adolescente.
Quais exames podem ser solicitados?
- Tomografia de tórax: permite calcular o índice de gravidade da deformidade, medindo a relação entre o diâmetro do tórax e a distância entre o esterno e a coluna;
- Ecocardiograma: avalia se há compressão do coração, o que pode ocorrer em deformidades mais acentuadas;
- Teste de função pulmonar: verifica se há comprometimento da capacidade respiratória.
Como funciona a cirurgia para pectus e quais são as técnicas mais utilizadas?
As duas técnicas mais usadas são a de Nuss, minimamente invasiva, em que uma barra de titânio é posicionada sob o esterno por pequenas incisões laterais, e a de Ravitch, que remodela diretamente as cartilagens costais e o esterno. O cirurgião torácico escolhe a técnica com base nos exames e no tipo de deformidade.
- Técnica de Nuss: indicada principalmente para o pectus excavatum, corrige o esterno com uma barra de titânio inserida por pequenas incisões laterais;
- Técnica de Ravitch: usada em casos de pectus carinatum ou em situações selecionadas de excavatum, remodela as cartilagens costais e o esterno.
Tempo de internação e controle da dor
A internação costuma durar alguns dias. O controle da dor no pós-operatório é parte fundamental, e o acompanhamento próximo nos primeiros dias é importante para uma recuperação segura e confortável.
Quando pode voltar à escola e ao esporte?
O retorno às atividades escolares costuma acontecer de forma progressiva, em poucas semanas. A liberação para atividades físicas mais intensas e esportes de contato leva mais tempo e depende da liberação do cirurgião.
A cirurgia para pectus melhora a respiração?
Pode melhorar em parte dos casos. O resultado mais frequente é a melhora estética da parede torácica, e em quem tinha impacto funcional antes da operação pode haver ganho de conforto torácico e de capacidade ao exercício. A resposta varia de paciente para paciente e não pode ser prometida antes da avaliação.
Depois da cirurgia, o acompanhamento é regular. Na técnica de Nuss, a barra de titânio permanece no corpo por um período determinado e é retirada em um procedimento programado, mais adiante.
Quando procurar um cirurgião torácico para avaliar o pectus?
Procure avaliação se o peito afundado ou proeminente vier com cansaço ao exercício, falta de ar, dor torácica, palpitações ou sofrimento com a aparência, ou se a deformidade estiver piorando com o crescimento. Dor forte no peito com falta de ar súbita pede atendimento de urgência.
Deformidades leves e sem sintomas também podem ser avaliadas, para saber se basta acompanhar. Levar a criança ou o adolescente à consulta não significa que haverá cirurgia.
Perguntas frequentes sobre a cirurgia para pectus
Qual é a idade ideal para operar pectus?
Não há uma idade única. A cirurgia costuma ser feita na adolescência, quando o tórax ainda apresenta maior flexibilidade óssea, mas também é realizada em adultos jovens. O estirão de crescimento influencia o momento, e a avaliação individual define o melhor período.
A barra de Nuss precisa ser retirada?
Sim. A barra de titânio é retirada em um procedimento programado, geralmente depois de alguns anos, quando o tórax já está remodelado e estável. No estudo da PLoS ONE, a retirada do implante foi recomendada a todos os pacientes acompanhados por mais de 3 anos.
A cirurgia deixa cicatriz muito visível?
Em geral, as cicatrizes são discretas, porque as incisões costumam ser laterais, sobretudo na técnica de Nuss. A visibilidade varia conforme a técnica e as características de cicatrização de cada paciente.
Consulta com o Dr. Eudes Carvalho
Dr. Eudes Carvalho, MÉDICO, CRM 25157/DF, RQE 21644 (Cirurgia Torácica)
O pectus merece atenção, mas sem pressa: a decisão se constrói com exames, sintomas e os objetivos do paciente e da família, respeitando a fase de crescimento. Se você tem dúvidas sobre o caso do seu filho ou filha, agende uma consulta para uma avaliação individualizada.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Só o seu médico pode avaliar o seu caso e indicar o tratamento e os cuidados adequados.
