Cirurgia de câncer de pulmão: Quando a quimioterapia ou radioterapia são necessárias após?

A Cirurgia de Câncer de Pulmão é indicada para tratar tumores de células pequenas e não pequenas, especialmente quando estão localizados e ainda não se espalharam para outras partes do corpo.
Durante o procedimento, removo o tumor, linfonodos próximos e, em alguns casos, partes de tecidos saudáveis. O plano cirúrgico é personalizado, levando em conta o tamanho, a localização do câncer e a saúde do paciente.
Mesmo após a cirurgia, algumas células cancerígenas podem permanecer, aumentando o risco de recorrência. Nesses casos, tratamentos complementares, como quimioterapia ou radioterapia, são essenciais para reduzir as chances de reaparecimento da doença e melhorar os resultados.
Neste texto, vou explicar em quais situações esses tratamentos adicionais são recomendados, como funcionam e de que forma podem aumentar as chances de sucesso no combate ao câncer de pulmão. Acompanhe!
Como é realizada a cirurgia de câncer de pulmão?
Há duas abordagens usadas comumente para remover partes do pulmão. A escolha depende da localização, tamanho e estágio do tumor pulmonar e da experiência do cirurgião torácico.
1. Toracotomia
A toracotomia é uma técnica que envolve uma incisão na lateral do tórax, seguindo a curva das costelas. Durante o procedimento, os músculos da parede torácica são afastados, e um instrumento é usado para abrir espaço entre as costelas, permitindo acesso ao pulmão. Após a cirurgia, esses músculos são reparados durante o fechamento da incisão.
2. Cirurgia minimamente invasiva
Na cirurgia minimamente invasiva, são realizadas quatro pequenas incisões para acessar o interior do tórax. Utilizo uma câmera de alta definição para visualizar a área e instrumentos específicos para remover o tumor com precisão e segurança.
Essa técnica, chamada de videotoracoscopia ou cirurgia toracoscópica videoassistida (VATS), pode ser realizada também com a assistência de um robô cirúrgico, conhecida como cirurgia torácica robótica. Essa abordagem oferece maior precisão, reduz o impacto em tecidos saudáveis e uma recuperação mais rápida.
Tipos de procedimentos
Os principais tipos de cirurgia para remover o câncer de pulmão são:
Ressecção em cunha: é indicada para tratar tumores pequenos e localizados com baixo risco de disseminação. Nesse procedimento, removo a menor porção possível do lobo pulmonar, preservando o tecido saudável.
Segmentectomia: retiro um ou mais segmentos de um lobo, preservando ainda metade ou mais desse lobo. Essa técnica é indicada quando há possibilidade de conservar parte da ventilação, garantindo melhor função respiratória após a cirurgia.
Lobectomia: é o procedimento mais comum para o tratamento do câncer de pulmão. Removo um lobo inteiro para retirar o tumor. Cerca de 70% dessas cirurgias podem ser realizadas de forma minimamente invasiva.
Pneumonectomia: quando o câncer não pode ser removido completamente com uma lobectomia, pode ser necessária a realização de uma pneumonectomia. Nesse caso, removo o pulmão inteiro do lado do tumor.
Pessoas que passam por pneumonectomia podem apresentar falta de ar. A equipe de cuidados trabalha em conjunto com o paciente para controlar esse efeito colateral, utilizando medicamentos ou técnicas como exercícios respiratórios.
Quimioterapia e radioterapia no tratamento do câncer de pulmão
A quimioterapia e a radioterapia são essenciais no tratamento do câncer de pulmão, podendo ser utilizadas de forma isolada ou como complementos à cirurgia.
Essas terapias reduzem tumores, controlam a progressão da doença e melhoram a qualidade de vida dos pacientes. Saiba a seguir como cada uma funciona e em quais situações são indicadas.
Quimioterapia
É um tratamento que usa medicamentos para destruir células cancerígenas ou retardar seu crescimento. Ela pode ser aplicada em diferentes momentos do tratamento do câncer de pulmão, conforme as necessidades do paciente:
- Antes da cirurgia (quimioterapia neoadjuvante): para reduzir o tamanho do tumor, facilitando sua remoção.
- Em combinação com a radioterapia: para potencializar os efeitos da radiação ou, em alguns casos, em conjunto com a imunoterapia.
- Após a cirurgia (quimioterapia adjuvante): para minimizar o risco de recorrência do câncer.
- Quando o câncer está avançado: para aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e controlar o avanço da doença.
A quimioterapia é administrada em ciclos, que consistem em períodos de tratamento seguidos por intervalos para permitir que o corpo se recupere. O número de ciclos depende do tipo de câncer, da resposta ao tratamento e dos efeitos colaterais.
Radioterapia
Utiliza raios de alta energia para destruir células cancerígenas e impedir o crescimento ou a propagação do tumor. A tecnologia atual permite que a radiação seja direcionada com precisão, protegendo os tecidos sensíveis ao redor.
A radioterapia pode ser indicada em várias situações:
- Como tratamento principal:
- Para pacientes com câncer de pulmão em estágio inicial que não podem ou optam por não realizar cirurgia.
- Quando a cirurgia não é viável para tratar câncer de células não pequenas localmente avançado (estágio III) ou câncer de células pequenas de doença limitada.
- Após a cirurgia:
- Para eliminar possíveis células cancerígenas microscópicas remanescentes e reduzir o risco de recorrência.
- Como tratamento paliativo:
- Para aliviar sintomas como dor, falta de ar ou desconfortos relacionados ao tumor primário ou suas metástases.
A radioterapia geralmente é realizada com um equipamento externo chamado acelerador linear, que emite raios-X focados diretamente no tumor.
Se você busca orientação sobre cirurgia de câncer de pulmão e como ela pode ser a melhor opção para o seu caso, agende uma consulta comigo. Como cirurgião torácico, ofereço um plano de tratamento personalizado para garantir a abordagem cirúrgica mais adequada para sua recuperação e qualidade de vida.
Dr. Eudes Carvalho
Cirurgião Torácico
CRM-DF: 25157 DF | RQE: 21644
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